Prezados Familiares, Estudantes e Educadores,
Dia 05 de março, Quarta-Feira de Cinzas, iniciamos com os cristãos católicos em todo o mundo o Tempo da Quaresma.
A Quaresma não é um tempo qualquer. Nela somos convidados a rever nossa vida, nossas atitudes, nossas palavras, nossas opções e viver a conversão, ou seja, a mudança, a transformação, a melhora de tudo o que em nós precisa ser mudado, renovado.
Nestes 40 dias que antecedem a Páscoa (“Quaresma”), somos convidados a vivenciar três atitudes que nos ajudarão neste processo de conversão pessoal e social: o jejum, a oração e a esmola.
O jejum nos faz olhar para nós mesmos, para nossos exageros, para nossos prazeres, para nosso egoísmo e autocentramento. O jejum “abre espaço” em nossa vida para a liberdade, para os outros. Quem consegue se privar de algum alimento, consegue ter autodomínio, autocontrole diante de tantos outros aspectos da vida.
A oração nos faz olhar para Deus, para nossa relação com Ele. A oração nos lembra que somos filhos, que temos um Pai bondoso, misericordioso, que está constantemente de braços abertos para nos acolher, nos amar e nos ensinar a amar.
A esmola (a melhor expressão é “partilha”) nos faz olhar para o próximo, nos faz sair de nós mesmos. A esmola/partilha não se reduz apenas a um gesto de ordem material: ela manifesta um ato que indica o fazer-se companheiro de quantos se encontram em dificuldade, participando da sua situação, com solidariedade.
Neste Tempo da Quaresma, além destas três práticas que já mencionamos, a Igreja Católica no Brasil convida seus fiéis à vivência da Campanha da Fraternidade, como itinerário de conversão e libertação pessoal, comunitária e social.
“Fraternidade e Tráfico Humano” este é o tema da Campanha da Fraternidade 2014.
O lema escolhido é inspirado na Carta aos Gálatas: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (5,1)
O tráfico humano é o cercamento da liberdade e o desprezo da dignidade dos seres humanos, filhos e filhas de Deus. É um dos modos atuais de escravidão e, certamente, um dos frutos desta cultura que estamos vivendo.
“A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros; faz-nos viver como se fôssemos bolhas de sabão: são bonitas, mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro; não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa!”, disse o Papa Francisco em Lampedusa, na Itália em 08 de julho de 2013.
São inúmeras as crianças tiradas de suas famílias pelo tráfico e, muitas vezes, vendidas em outros países ou usadas para o trabalho escravo. São muitas as mulheres que são enganadas com propostas de melhores empregos e que depois são forçadas à prostituição ou ao trabalho sem condições dignas. Tantos são os homens, adultos e jovens que saem de suas cidades na esperança de melhores condições de trabalho e caem nas ciladas daqueles que só querem explorar a mão de obra deles. São inúmeros os casos do tráfico de pessoas para a retirada e venda ilegal de órgãos.
Como cristãos, como pais, como educadores, como estudantes, não podemos ficar indiferentes em relação ao tráfico humano. Estes casos estão cada vez mais perto de nós.
“Peçamos ao Senhor, a graça de chorar pela nossa indiferença, de chorar pela crueldade que há no mundo, em nós, incluindo aqueles que, no anonimato, tomam decisões socioeconômicas que abrem a estrada a dramas como este” (Papa Francisco, Lampedusa, Itália, 08 de julho de 2013)
Peçamos ao Senhor a graça da coragem profética para não compactuarmos com nenhuma forma de exploração humana e denunciarmos, através das vias legais, todas aquelas situações que soubermos ou que estiverem diante de nossos olhos.
Peçamos ao Senhor que nos liberte das amarras do egoísmo, da prepotência, da arrogância, da ambição e nos faça libertadores de outras vidas para o amor, para a justiça e para a paz.
Serviço de Pastoral Escolar
Colégio Salvatoriano Nossa Senhora de Fátima